Scooter ou «Sucata» elétrica? O início de tudo…

Na minha apresentação, referi a minha paixão pelo desporto. Adoro ciclismo, especialmente BTT, mas não me faço rogado a uns km’s rolantes de asfalto. Considero a bicicleta a melhor invenção do Homem – há lá outro invento que aproveite tão bem a fisionomia humana, proporcionando uma tão rápida, económica, eficiente e ecológica deslocação, independentemente da morfologia do terreno calcado?Estávamos em 2009. Numa navegação internauta, dou por mim a ler uma página web de uma empresa portuguesa até então minha desconhecida (e desde aí infelizmente minha conhecida também). Publicitavam-se scooters elétricas, de diferentes potências, cores e autonomias.

Nunca tinha tido mota na minha vida. Andara numa apenas uma vez, quando um colega me deu boleia para a faculdade, depois de um trabalho de grupo em sua casa. Familiarizado e apaixonado sim por bicicletas (seguramente a melhor invenção do Homem, já o tinha referido?), nunca senti o apelo nem o fascínio que as motas suscitam em muita gente, contudo, não descansei enquanto não experimentei e encomendei uma destas scooters.

Não é âmbito deste caderno de requisitos detalhar o plano de todas as mentiras, esquemas e aldrabices de que fui alvo enquanto cliente dessa empresa, embora não vos consiga ocultar na totalidade o gene que despoletou o projeto que vos irei apresentar em seguida. Saltando o índice remissivo das desculpas esfarrapadas que tentam ridiculamente justificar 6 meses de espera, recebo finalmente a minha scooter elétrica em meados de 2010.

A minha scooter elétrica

Quem compra um carro, uma mota ou um aspirador novo, espera que este lhe seja entregue limpo, sem riscos, com documentação e isento de avarias, certo? Cert…amente que estão já a ver o que não correu bem comigo. A saga continuou e ao quarto dia tinha já a primeira avaria. Sem querer entrar em pormenores, resumo com o excerto do seguinte parágrafo, o meu calvário até ao dia em que tive de tomar uma decisão, uma carta registada a solicitar a resolução do contrato: “Em 21 meses, a mota teve 6 intervenções, tendo-me deixado apeado 3 vezes. O tempo total de privação da mota é até hoje, dia 05-01-2012, de 210 dias ou seja, equivalente a 7 meses!”.

O vendedor não só não reparou a avaria da mota, como a reteve, o que me obrigou a seguir o rumo dos tribunais, com tudo o que isso acarretou em termos de tempo e de custo. Cerca de ano e meio depois do processo ter dado entrada em tribunal, ainda sem sequer ter sido chamado à audiência, sou informado pelo meu advogado que a empresa abriu insolvência, ao que este acrescenta: “o melhor que podes vir a ter neste processo, é ires buscar a tua mota como ela estiver e quanto antes porque a empresa tem credores”.

Interior da ‘sucata’ elétrica, entregue após avaria

Terminava assim, desta forma injusta, esta história.

Perante o olhar de gozo do vendedor, perante os advogados de ambas as partes e perante o administrador da insolvência, recolho finalmente a minha mota, quase 2 anos depois de a ter depositado com uma avaria, num estado lastimável, por reparar, riscada, danificada, vandalizada e sem qualquer bateria.

E agora, o que fazer?

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4 Responses to Scooter ou «Sucata» elétrica? O início de tudo…

  1. Nuno says:

    Eheheh, bem-vindA :)! Pelos vistos também temos escritor 🙂
    Também aguardo pelas cenas dos próximos capítulos… que certamente não serão como os de uma certa Aprilia 😛 🙂

    • Sergio says:

      Esperemos que a carga de eletrões que flui pela pena, não se esgote e que os capítulos seguintes surjam ao sabor de cada carregamento. Tal como o Hélder, tu também foste sempre um apoio importante neste projeto, com quem pude sempre contar. A Morcega também partilha algo desenvolvido por ti. A seu tempo, saberemos todos mais um pouco do que se trata.

      …e um dia ainda havemos os 3 de fazer um passeio de DIY EV’s. Cada um no seu…

  2. Helder says:

    Tive o privilégio de te acompanhar nesta situação. Sei bem a injustiça a que os tribunais/advogados te submeteram e como o sistema está feito para quem se mexe nele e desgastar os outros.
    Como tal, pode parecer injusto o que vou dizer em seguida, mas dado ter sido a compra desta mota que nos juntou, ainda bem que a compraste.
    Como também sabes, coincidências não existem certo? Como tal, todo este processo mostrou muita coisa nova, fez cair barreiras e, quem sabe, abrir “novos horizontes”? Coincidência, claro!

    Aguardo novos post de desenvolvimento deste fantástico projecto. Espero que não sejam como os de uma certa Aprilia… 😀

    Abr!

    • Sergio says:

      Foste o responsável #1 do início deste projeto. Sabes pelo que passei e sempre me soubeste dar o alento para seguir em frente, mesmo quando as coisas não corriam de feição. Por tudo isto, qualquer obrigado que te possa dizer, é insignificante. Além do apoio e ajuda que refiro, a Morcega orgulha-se também de utilizar algo que criaste para uma utilização específica do seu funcionamento. A seu tempo, voltaremos ao tema.

      Desejo um dia inverter os papeis, i.e., tu convertes e eu mando uns ‘bitaites’. Boa??

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