Escolher os ingredientes – Motor – parte 1

Após um curtíssimo intervalo (o tempo é relativo :)), continuo com a saga dos ques, e concentro agora as atenções no gerador da força motriz – vulgo motor. Alguma coisa tem que pôr esta mota a andar senão não chego a lado nenhum. Não vou fazer uma grande incursão pelos motores disponíveis, até porque o cenário já mudou um bocado desde que fiz a minha escolha – seja ela boa ou não. De qualquer forma, o caminho agora é para frente.

Comutador à Lynch

Comutador à Lynch

Sempre me fascinaram os motores da tecnologia “Lynch”, inventada pelo inglês Cedric Lynch. São motores DC escovados (com escovas) muito compactos e com um grau de eficiência relativamente alto, especialmente tendo em conta que têm escovas. Têm potências e tamanhos bons para conversões de motas. Infelizmente também têm um preço alto, embora facilmente se encontrem outros motores bastante mais caros. Hoje em dia são fabricados pela inglesa LEMCO (a “casa mãe”), pela indiana AGNI (detida pelo Cedric Lynch e um sócio) e pela alemã Perm (entretanto comprada pela Heinzmann).

Algures no tempo esbarrei com a Motenergy (anteriormente, Mars) e eles têm uma gama de motores razoáveis a um preço razoável. Na altura tinham 3 modelos interessantes para a minha conversão, 2 modelos DC com escovas (ME0708 e ME0709) e um sem escovas (ME0907) – hoje em dia têm novos modelos mais potentes. O modelo sem escovas tinha características similares a um dos modelos com escovas (ME0708), cerca de 4.8KW a 48V.

ME0708 - Photo cortesy of Motenergy.com

ME0708 – A foto é uma cortesia da Motenergy.com

ME0709 - Photo cortesy of Motenergy.com

ME0709 – A foto é uma cortesia da Motenergy.com

O outro modelo era de 72V e mais potência (9KW); mas também mais peso, 16,2Kg face aos 12,6Kg do ME0708. Por comparação, um Lynch, mais potente que qualquer um destes 2, pesa 11Kg.

ME0907 - Photo cortesy of Motenergy.com

ME0907 – A foto é uma cortesia da Motenergy.com

O ME0907 pesa 9.9Kg o que não é nada mau comparado com o ME0708, mas é sem escovas – na verdade até acaba por resultar num sistema mais leve que com o ME0708, embora possivelmente mais caro. De qualquer forma, tive desde o inicio a intenção de desenvolver o controlador (ou pelo menos tentar), e controlar um motor sem escovas é um tanto mais complexo de fazer bem, daí que este facto levou-me a decidir desde cedo optar por um modelo com escovas – já há neste projecto complexidade que chegue.

A (ex-)Perm também tem um motor interessante, de cerca de 7.2KW a 72V. Este motor utiliza a tecnologia Lynch, e conta-se por aí que em tempos a Perm terá sido contratada pela LEMCO para produção dos motores desta, mas que acabou por começar ela própria a produzir os seus motores com esta tecnologia; aparentemente até estará ainda em aberto um litígio legal entre ambas as empresas por causa da propriedade intelectual. O motor em questão é o pmg-132, e também se atira para os preços dos LEMCO.

Perm PMG132

Perm PMG-132

Considerações de peso, preço, tensão e possibilidade de upgrade fizeram-me decidir por um ME0708. Algumas simulações mostraram que a potência parecia razoável e os 12.6Kg de peso estavam no limite do razoável para esta conversão; e alguma investigação pelo EV Album também confirmava que não seria má escolha. O peso que sai da mota na conversão é relativamente pequeno, e eu já sabia que ela ficaria com mais peso depois de convertida, sendo o principal responsável a bateria – mas na bateria era muito mais dificil poupar peso por razões económicas.

Optei por um sistema de tensão relativamente baixa para esta conversão, 48V, sendo a razão principal a segurança. Não que eu ache que os veiculos eléctricos são perigosos por causa da tensão e blá blá blá como dizem por aí os velhos do restelo (esquecendo que viajam em cima dum tanque de liquido altamente inflamável e/ou tóxico); a questão é que eu sou inexperiente neste ramo e não estou a desenhar um veículo de raíz. Não tenho uma equipa de engenheiros a tempo inteiro na conversão, e portanto prefiro uma tensão baixa que não causará problemas a ninguém em nenhuma situação. Tenciono viajar regularmente neste veículo, ele não é apenas uma máquina para me divertir em algum circuito privado uma vez por mês, e daí que estas coisas têm que ser feitas com alguma atenção. Existe um 2º detalhe que tem a ver com o meu desejo de construir o controlador: de 48V para cima os semicondutores e outros componentes em geral tornam-se mais caros e a escolha bastante menor.
Ter um sistema de 48V nominais também me permitirá mais facilmente migrar um dia para um motor Lynch, sendo que o melhor, o AGNI, tem como versão mais comum um modelo de 48V (AGNI 95).

AGNI

AGNI

Este upgrade traria mais potência (o dobro) e menor peso (-12%)!

Existem ainda outras classes de motores como os “de enrolamento série”, indução e alguns modelos especiais sem escovas todos XPTO, mas também são motores bastante caros, e alguns grandes e pesados, embora com mais potência. Mas para a conversão duma mota do tamanho da Aprilia e que nem vai correr no TTXGP, o tamanho – potência – preço dos motores Lynch e Motenergy é óptimo.

E está decidido o motor! Ou talvez não… aguardemos o próximo capítulo 🙂

This entry was posted in Decisão, Mecânica, Mota, Motor, RS125e. Bookmark the permalink.

2 Responses to Escolher os ingredientes – Motor – parte 1

  1. Helder says:

    A ver vamos se o próximo capitulo será “relativo” no tempo como este… LOL!

    Escolher motor é um pouco complicado, ou talvez não. A meu ver, a escolha de chassi é determinante nesta escolha de motor. Penso eu… diz-me tu 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *